domingo, 25 de setembro de 2016

Lista de indicações: Livros

Mês de outubro está próximo, e como ele coisas interessantes se revelam.

Primeiro é o mês em que completo mais um ciclo de 12 meses, e em segundo é o mês dos professores.

Claro que outubro é muito mais que meu aniversário ou mês em que se lembra que dia "15 de outubro" é o dia dos professores, tem, por exemplo, o Outubro Rosa.

No entanto, como o que importa de mais imediato a mim (rs) é poder saber que a vida vale a pena e é bom marcá-la com coisas boas...

Eis as coisas que podem em muito marcar o tempo de forma alegre e inteligente:

1. Livro "Verdades e Mentiras: ética e democracia no Brasil".
Resumo da Saraiva (clique na imagem para encontrá-lo):

É senso comum dizer que todo político mente. Mas não seria a verdade uma ilusão, uma impossibilidade que tornaria a mentira ética? Nesse livro, quatro respeitados pensadores de nosso tempo - Gilberto Dimenstein, Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé e Mario Sergio Cortella - debatem as fricções que envolvem a tensa relação entre ética e democracia, colocando em xeque as verdades e as mentiras que compõem o universo político nacional. Com opiniões por vezes divergentes, mas que se complementam, eles discutem o que, de fato, define um governo democrático e o quanto ele é reflexo de nosso posicionamento como cidadãos. Os autores trazem à conversa temas que tratam de práticas e dilemas da vida pública com que temos convivido já há bastante tempo e mostram que, mesmo em cenários de crise, há, sim, motivos para acreditar no exercício de uma democracia que tenha o coletivo como bem maior.
Autores: Gilberto Dimenstein / Leandro Karnal / Luiz Felipe Pondé.

2. Livro "Estados Unidos: a formação da nação
Resumo da Saraiva (clique na imagem para encontrá-lo):

A coleção Repensando a História, tem por objetivo desenvolver a visão crítica por meio da discussão, análise e reformulação constante dos temas históricos. Pretende estimular a participação de todos no processo de elaboração do saber histórico, apresentando um tratamento desmistificador de visões consagradas e abordando questões que fazem parte do dia-a-dia das pessoas 'comuns' sistematicamente postas à margem da história.

3. Livro "A história dos Estados Unidos
Resumo da Saraiva (clique na imagem para encontrá-lo):

Como pode os Estados Unidos provocarem tanto ódio, a ponto de muita gente no mundo ficar feliz com ataques suicidas de fanáticos obscurantistas contra eles? Como pode uma cultura influenciar tantas outras e ostentar, muitas vezes, um provincianismo digno de rincões escondidos no espaço e no tempo? Nação que absorveu mais imigrantes que nenhuma outra na história, que respeita as diferenças criando etiquetas para as minorias, que incorpora cientistas do mundo todo em suas melhores universidades, que espalhou para o mundo o cinema e o jazz, séries de tv e calças jeans, padrão de magreza anoréxica e de seios inflados; país que defendeu a democracia em “guerras justas” e atentou contra ela em invasões injustificáveis. É sobre esse fascinante país que trata este livro. Primeira e única obra feita com olhar brasileiro, foi escrita por quatro especialistas da área, passando longe da visão maniqueísta com que o tema comumente é tratado. Obra de referência, essencial para quem não é indiferente (gostando ou não) às influências que a terra do Tio Sam exerce sobre nós.

Desde já agradeço

Professor Demétrio Melo

sábado, 24 de setembro de 2016

Mudanças estéticas no ensino brasileiro

Venceu a escola sem partido e congêneres

A Medida Provisória do MEC é um atestado da influência que movimentos financiados por grandes grupos,  tais como a Ambev e a rede Burguer King, co-patrocinadores do Todos pela Educação e Fundação Lehman.
Ao invés de tomarem partido pela valorização da carreira docente,  melhorias técnicas na rede escolar,  criar programas de permanência do estudante na rede regular,  criar formas de atendimento ao estudante em riscos sociais, não o fizeram.
Abriram a docência para os  que possuam "notório saber" possam ocupar postos de trabalho abertos,  sem que tenham formação técnica especializada para docência, para que assim esvazie-se o debate sobre o que muito incomoda essas entidades conservadoras, tais como a questão de gênero,  os novos arranjos familiares e a estrutura de família,  as questões políticas que incidem sobre os cidadãos,  questionamentos sobre a realidade econômica e produtiva em uma economia de mercado,  sobre os processos de exclusão e exterioridades de um modelo de exclusão.
Retrocedemos duas décadas, quando não havia a obrigatoriedade de diplomados na docência.
Retrocedemos quatro décadas, para um momento quando não havia diálogo com a sociedade e o congresso é chamado apenas para ratificar as decisões do executivo.
Um "notório saber" que quer mascarar as fragilidades do sistema de ensino que precariza a docência,  quando mais da metade dos professores,  para sobreviver com um certo conforto,  excedem em muito 40 horas semanais tendo que trabalhar,  muitas vezes, em mais de três escolas e atender a mais de 1000 alunos.
Não avançamos, os alunos terão que enfrentar um sistema que não mudou sua essência, e que não estimula a prática docente, onde os professores só são protagonistas do maus resultados da educação.
Uma proposta muito mais estética que estrutural, que poderá promover parcerias público-privadas entre as secretarias estaduais com instituições privadas para complementar a carga horária e integração do Ensino Médio tradicional com o Ensino Técnico.  Não há transparência em tal processo.
Com a MP não fica claro o desenvolvimento da docência e nem metas a serem atingidas,  além de atropelar as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio, e de se antecipar à conclusão da Base Nacional Comum.
Esse choque de "liberalismo", que o estimado pensador Felipe Pondé defendeu tempos atrás, não condiz com a realidade das secretarias mais pobres da União,  onde falta professores do " currículo comum" quem dirá de atividades especializadas da formação técnica.
Outro fator preocupante é a ampliação da desigualdade,  tendo os jovens das familias mais ricas fazendo carreiras do ensino superior e os dos mais pobres buscando carreiras técnicas de menor remuneração.
Isso fere a própria ideia de Meritocracia,  aprofundando os níveis de condições de competição e de acesso,  ou seja, mantendo essa distinção do que cabe ao rico e ao que cabe ao pobre.
Ainda assim, com tudo isso não desisto desta atividade,  da docência.
Da certeza íntima de estar contribuindo positivamente para com os educados,  para o Real Progresso do País.
Não deixo o meu niilismo vencer,  sou um otimista persistente,  mesmo tendo que conviver e ter de enfrentar um sistema político que culpa os docentes e exime o ente Federal de sua responsabilidade.
Com grande preocupação

Professor Demétrio Melo

domingo, 10 de maio de 2015

UNIÃO EUROPEIA: Processo de Formação e Zona do Euro

O conjunto de Países que constituem a União Europeia teve início com a criação do BENELUX (Bélgica, Neerland e Luxemburgo) que em 1944 assinou um acordo para uma união aduaneira, que entrou em vigor em 1948.
Ao longo da virada do século XX para o XXI essa união continental foi se expandindo até atingir o atual bloco de 27 países membros, dos quais 19 países contam com a moeda única, o Euro.

Assista a seguir um vídeo sobre a formação dos tratados da União Europeia.


E para saber mais acesse a página institucional da União Europeia onde poderá saber os países que estão no Eurogrupo e a Zona do Euro, além de assistir ao vídeo com as regras dos participantes do Euro.

União Europeia

Bons estudos

domingo, 26 de abril de 2015

Educação e Neoliberalismo: uma combinação perigosa

Opinião

Reler as décadas de 1960 e 1970 revela a importância que o papel da técnica, da ciência e da política tiveram para as décadas posteriores.
Chegada a década de 1980 o socialismo/comunismo parecia estar com os dias contados. A abertura soviética não estava sendo capaz de tirar a União Soviética de sua convulsão política-econômico-social. A crise política interna entre a presidência da Federação Russa e da União Soviética revelava a crise insustentável, e com a derrubada de um dos maiores símbolos do Ocidente-Oriente em 1989 na Alemanha Oriental antecipava a fragmentação daquele país, pondo fim como potência hegemônica e como contra-peso ao capitalismo global.
Tendo em vista essa dinâmica ocorreu nos Estados Unidos uma das mais importantes conferências internacionais para traçar as perspectivas para o "novo mundo" que se anunciava, conhecida como Consenso de Washington entre seus críticos, tendo em vista que as ideias lá referendadas estavam na defesa do livre mercado global amplo e irrestrito, indicando para as nações do "terceiro mundo" a abertura de seus mercados, os processos de privatização de empresas públicas, flexibilização das leis trabalhistas, criação de facilidades para a instalação de multinacionais e a lógica do "estado mínimo", todo esse conjunto de ideias remetia ao Estado Liberal dos séculos XV e XVI. Por isso, na América Latina, e alguns países europeus, foi denominado de "neoliberalismo".
Um dos países que mais aprofundaram as medidas neoliberais foram o Chile e a Suécia. Ambos os países privatizaram seus sistemas de educação, que na década de 1990 e 2000 auxiliaram a ambos a um forte boom de investimentos no setor, melhorando enormemente seus indicadores educacionais e de produtividade, mas que em recentes vem enfrentando grandes dificuldades.
No caso chileno cabe destacar que sua abertura econômica (iniciada ainda na ditadura militar) pautou-se em maior alinhamento com o comércio com os Estados Unidos, o seu maior investidor individual e grande comprador de minério de cobre seu principal produto de exportação, e foi neste país que o governo chileno tirou seu modelo de gestão do ensino superior, adotando um sistema totalmente privado.
Na Suécia com a expansão da União Europeia o país nórdico buscava consolidar sua posição econômica no setor informacional, visto que há limitações produtivas em seu reduzido território, e a escolha foi adotar uma política agressiva de abertura de seu mercado de educação na década de 1990.
O resultado recente para ambos foi o de paralisia desses setores. No Chile muitos estudantes não conseguem arcar com os custos da educação superior privado, o que leva ao abandono dos estudos e preocupa o governo, pois a disponibilidade de mão de obra qualificada vem se reduzindo, aumento os custos por trabalhador/hora de trabalho, reduz atração de novos empreendimentos ao país e por consequência reduz sua competitividade. Por mais que o governo subvencione parte do valor das mensalidades para aqueles que estão em maior risco socioeconômico, mas ainda assim é muito cara para a base da piramide social chilena.
Na Suécia a situação também é grave, pois um das empresas privadas, que adquiriu uma parte da rede de educação básica, simplesmente fechou escolas e deixou mais de 11 mil estudantes sem aula. O que levou ao país repensar seu modelo de educação privada.
Na última edição Fórum Econômico Mundial (2015) em Davos na Suíça ficou claro que o caminho para os investimentos em educação, principalmente para os países em desenvolvimento, deve ser realizado pelo Estado, ou seja, educação é uma ação estatal e deve se manter pública e com acesso gratuito, tendo em vista as enormes desigualdades internas a esses países.
Nesse momento político de incertezas decisões precipitadas podem trazer consequências sociais nefastas no médio prazo,

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

E 2015?

Pois é, quem diria
Muitos dizem que o capitalismo triunfou, que diferentes maravilhas são atribuídas ao modo de produção capitalista e o "livre mercado", tais como os avanços na medicina, a chegada do homem a Lua, o fim da pobreza na Europa Ocidental, Japão, Austrália e América Anglo-saxônica, principalmente, além das novas nanotecnologias. 
Mas reparem que nessa segunda década do século XXI tais conquistas estão agora em xeque, o modelo de estado de bem estar social parece estar com os dias contados. Esse mesmo estado de bem estar, de certa forma, conteve o avanço do socialismo e comunismo nos séculos XIX e XX nos Estados Hegemônicos, mas agora o capitalismo vem ampliando as concentrações de renda e poder político. 
As 500 pessoas mais ricas do mundo têm em mãos a renda de 3,6 bilhões de pessoas, não foi assim que o século XX terminou.
Agora assistimos convulsões na Europa Ocidental, berço do livre mercado, tal como as greves na Grécia, na Bélgica e agora dos médicos franceses contra a terceirização de seus serviços pelo Estado. Novos atores entraram no jogo geopolítico mundial, China, Brasil, Índia, Coreia do Sul, e a massa sobre a balança do hemisfério sul tem crescimento, desequilibrando as economias ditas avançadas, até a sólida instituição "embargo sobre Cuba" parece estar afrouxando.
Em 2015 teremos mais um ano difícil para bilhões de seres humanos, com crescimento da inflação global e deterioração da renda nos países mais ricos e arrefecimento do papel dos emergentes na economia mundial.
E os Estados Unidos passam mais uma vez a puxar o crescimento econômico com aumento de sua dívida pública, que beira os 100% de seu Produto Interno Bruto.
Mesmo com a queda dos preços do barril do petróleo teremos derivados caros, energia mais cara, meio ambiente mais poluído e a certeza fica por conta de termos mais incertezas para 2015.
Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

PROGRESSO MATERIAL E DESENVOLVIMENTO: AS CONTRADIÇÕES

Opinião

A nossa contemporaneidade, marcada pela instantaneidade midiática, cria uma fluidez no sistema de produção, circulação e consumo nunca antes imaginado pela humanidade.
Essa instantaneidade globalizante faz convergir os lugares superando línguas, costumes, leis e regras morais, tendo em vista a necessidade de o capital poder usufruir de novas formas de consumir, principalmente nas nações ditas emergentes, que expandem o consumo interno como forma de desenvolvimento.
Aqui nasce uma das mais importantes contradições o signo “desenvolvimento” não se equivale “ao desenvolvimento social”, ou seja, a possibilidade de cada nação, em cada cultura, poder decidir que melhor modelo lhe cabe para atingir seus concidadãos. O signo “desenvolvimento” está sob a égide do “progresso material”, da expansão das taxas de produção, circulação e consumo de bens e serviços. Ou ainda o signo “desenvolvimento” é uma contradição per si visto que nos países desenvolvidos há aumento de pobres, excluídos, marginalizados, a maior favela europeia encontra-se na periferia de Madri na Espanha.
O modelo de desenvolvimento que as nações vêm seguindo, desde a grande virada do sistema liberal inglês, no século XVIII, e com a ampliação mercadológica do sistema liberal estadunidense, século XIX para o século XX, permitiu para algumas nações um estado de fruição de qualidade de vida muito seguro e próspero, que neste momento enfrenta uma de suas maiores crises: o estado de bem estar social mantém gastos sociais além da capacidade de arrecadação, mais uma contradição ao modelo de desenvolvimento.
Muito se tem dito e defendido que o atual modelo de desenvolvimento brasileiro está fadado ao fracasso, com política de juros altos, elevada carga tributária e o nosso sistema de seguridade social têm feito o Brasil perder competitividade.
Os países ditos desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, Japão e os maiores da Europa Ocidental (Alemanha, França, Inglaterra e Itália) na segunda metade do século XX deram início a uma corrida global em torno de novos mercados de consumo, principalmente em virtude da Guerra Fria, tendo a América Latina e grande parte da Ásia como destinos dos excedentes de capital proveniente dos petrodólares estadunidenses e da ampla poupança interna japonesa.
O que as empresas dessas nações vieram consolidar nos países ditos subdesenvolvidos ou do Sul, foram suas reservas de matérias primas, legislações fracas, ditaduras favoráveis ao mercado internacional, amplo mercado de reserva de mão de obra, facilidades de repasse de lucros, enfim, vieram consolidar o seu modelo de dependência econômica, social e produtiva em relação às nações já industrializadas e desenvolvidas.
Foram criadas inúmeras outras contradições nos países politicamente mais frágeis com dificuldades nas principais garantias civis, principalmente no que tange aos direitos humanos e a proteção da dignidade da pessoa humana, de outra forma, as liberdades civis, sociais, individuais e coletivas. Essas ideias em conjunto tem sustentado a atual retórica “progressista” de perda de competitividade frente os países asiáticos, que por lá auferem melhores lucros em razão dos menores “custos sociais” em se produzir novos bens e serviços.
Grande parte do empresariado brasileiro defende mudanças no sistema previdenciário e seu conjunto de direitos sociais em razão dos custos na produção, ora, seria mais inteligente, e menos hostil, defenderem um ambiente global de direitos sociais, pressionarem as entidades supranacionais em defesa de direitos sociais e coletivos nos países asiáticos, africanos e latinos americanos que ofertam maiores lucros em detrimento das restrições: jornada de trabalho de 14 a 16 horas por dia, salários que não garantem o mínimo para a reprodução material do trabalhador, ausência de seguro saúde, ausência de férias remuneradas, ausência de salário maternidade, combate à exploração do trabalho infantil. E as exterioridades desse processo hostil de produção: exploração sexual de menores, tráfico internacional de pessoas, depredação ambiental, tráfico internacional de armas e drogas.
Como sabemos o sistema de produção atual não se constitui em um sistema de ampliação de valores morais, tão pouco sociais, visto que em diferentes nações, vistas como modelo a serem seguidas, estão vivenciando o insucesso: inflação alta, baixo crescimento econômico, desvalorização social da produção, recorrência aos bancos privados para empréstimos e auxílio austero do Fundo Monetário Internacional.
As contradições internas ao sistema atual está ampliando as formas de produção hostil até nos países pioneiros de proteção aos seus trabalhadores e cidadãos, com a imensa quantidade de imigrantes pobres que todos os dias chegam nos países desenvolvidos se cria uma situação de conflitos, na Europa alimenta a xenofobia, nos Estados Unidos alimenta-se a produção de serviços pautada na mão de obra mal remunerada, principalmente de latino americanos e asiáticos.
Em suma o atual modelo de desenvolvimento material não pode ser confundido como sinônimo de desenvolvimento e progresso da sociedade, progresso que deveria ser pautado nas garantias fundamentais do valor social do trabalho, da dignidade, da individualidade, da liberdade de pensamento, da liberdade de culto, da liberdade de escolha.


sábado, 5 de abril de 2014

O discurso da intolerância e do preconceito

Opinião


A análise de um discurso (ou conjunto de discursos) permite-nos identificar a essência daquele que discursa e que objetivos se quer alcançar com tal prática.
Todo discurso se faz na relação com o outro, entre o emissor e o receptor existem elos que, dependendo da memória discursiva (Foucault*), vão sendo estabelecidas a materialidade discursiva.
Orlandi (Análise de Discurso, 2005) afirma que o discurso é a “materialidade linguística” (p. 65), dessa forma o que é dito busca um fim, por exemplo, persuadir, deslocar sentidos, ratificar algo, convencer alguém, justificar uma ação, enfim o discurso cumpre diversos objetivos.
Podemos estabelecer que o discurso é a forma na qual as relações de poder se estabelecem a partir da língua para se atingir uma determinada finalidade, seja pelo convencimento, seja pela persuasão daquele que detém o poder discursivo.
Quando se trata de uma pessoa pública, como um deputado, um senador, um diretor de empresas públicas, um chefe de gabinete os sentidos discursivos buscam cumprir finalidades mais específicas, tais como informar ao seu receptor (que pode ser a população no geral) o que há no momento, ou simplesmente manter o canal de comunicação ativo para expressar opiniões, convergentes ou divergentes, sobre um determinado tema, recorrente ou não, ou ainda convencer a opinião pública da validade de seus atos políticos.
No caso do Deputado Jair Bolsanaro (PP-RJ) é comum suas opiniões sobre os homossexuais, sobre o que ele considera “kit-gay”, além de situações que levam ao preconceito contra a mulher e contra os negros.
Para constatar sua discursividade há uma longa lista de discursos proferidos pelo deputado, que se apoia na premissa da liberdade de expressão e, no que lhe cabe considerar, defesa da moralidade e dos valores do civismo e da família.
Como não se pretende esgotar o conteúdo discurso, mas apenas ilustrar uma pequena análise da discursividade do Deputado em questão, segue abaixo uma pequena lista de documentos retirados na rede mundial de computadores que podem ratificar a discursividade deste representante do povo, que em grande parte, não representa uma grande parcela da população de seu estado (Rio de Janeiro) ou mesmo da nação.
Em suma o discurso é uma importante ferramenta para que o receptor do discurso possa e manter-se convergente (ou divergente) daquele que mantém as relações de poder político, e que busca imbuir uma carga ideológica através das palavras que são ditas, não sendo possível distinguir a pessoa comum (Jair Bolsonaro) do Deputado Jair Bolsonaro, esse é seu status quo, onde quer que se apresente este sempre será visto como o representante eleito.

* Foucault, Michel. Arqueologia do saber.

_____________________ Lista de links_____________

Para Preta Gil - Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu -https://www.youtube.com/watch?v=wO90rA5A688


“Greve de fome Dutra” - https://www.youtube.com/watch?v=laG57B8eJJ8




sexta-feira, 28 de março de 2014

Estado burguês, imperialismo e outros assuntos

Opinião


O imperialismo americano se fez ao longo do século XIX ao XX. Os EUA, com a política da "América para os Americanos" criaram uma concepção ideológica e simbólica do poder do território estadunidense sobre os demais. O termo imperialismo foi utilizado bem depois, quando os europeus consolidaram seus domínios sobre a África e Ásia após a Conferência de Berlim (fins do século XIX), tendo a anexação literal de territórios africanos para as grandes potências europeias da época.

É muito comum inúmeros dirigentes políticos da América Latina, de ideologia marxista-leninista, se referirem aos EUA como imperialistas, entretanto o novo imperialismo americano é muito mais cultural, veja que estamos utilizando equipamentos criados naquele país, com tecnologia informacional daquele país, e não percebemos o quanto esse domínio cultural está intrínseco em nossas vidas e atitudes.

Os EUA embargaram sim a ilha cubana após sua revolução comunista, isso não quer dizer que há uma proibição comercial com os cubanos, mas há uma declaração extrínseca para os demais países que se alinham à potência norte-americana de que não querem ver seus aliados sustentando o modelo social de Cuba. Não há investimentos diretos de empresas com sede nos EUA na ilha dos Castros, ou seja, para investir empresas criam nos paraísos fiscais do caribe empresas de fachada para burlarem o embargo. Deve ser lembrado que a ilha cubana foi objeto de disputa no conflito entre os EUA e a Espanha, que os libertaram e mantiveram uma pequena elite na exploração da população até o golpe revolucionário.

Quanto a questão do capitalismo e do socialismo vale uma citação de Berman (Apud Haesbaert, 2011*) "a burguesia não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte das relações de produção e, com isso, todas as relações sociais".

Isso marca bem a fase atual do capitalismo de controle, onde todos estão em rede, conectados auxiliando na reprodução material de alguns poucos indivíduos que se apropriam da produção da sociedade na terminação de criar ainda mais-valia (Marx). A democracia burguesa é uma falácia, pois cria uma condição perversa e simbólica de que todos podem, com seu esforço, resolverem seus problemas, terem sucesso, ora isso não ocorre, vá para a Psicologia e estude como os indivíduos se veem e se registram. Aqueles que possuem determinado esteriótipo, criado pela mídia de massa, passa a ter sucesso, não por ser competente. A democracia burguesa fala em meritocracia, mas como isso é possível em sociedades desiguais sócio-psicologicamente? - outra falácia.

Muitos de nós vão passar apenas pela existência material mínima, permitindo sempre que alguém esteja de fato se beneficiando de seu trabalho, de uma mais-valia que expropria continuamente.

Não vejo como o capitalismo poderá suplantar o socialismo enquanto sistema social, e também não há condições para um socialismo determinado por antigas estruturas de poder criadas nos moldes de beneficiados naturais ( o direito divino ou natural).

Temos que sair do simbólico para cortejar o real, e o real passará a existir quando irmos além de pequenas necessidades materiais pontuais criadas pelos sistemas de consumo.


*HAESBAERT,  Rogério. O mito da desterritorialização do fim dos territórios à multiterritorialidade. Bertrand, 2011

IPEA REVELA A FACE DO MACHISMO

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas revelou essa semana o quanto o machismo é perigoso e violento no Brasil. 

Segundo o IPEA o comportamento da mulher influência nos estupros e nos abuzos dos homens, isso é o que pensa 58% dos entrevistados.
11% das crianças vitimas de violência foram estupradas pelos pais e 12% pelos padastros.
Uma preocupação estarrecedora: por a culpa dos estupros nas vítimas.
Acredito que os pais e mães estão deixando de atuar na educação para a igualdade de gênero. Lido todos os dias com crianças e adolescentes e presencio cenas que levam ao comportamento machista de meninos entre 10 a 14 anos (alguns antes dos sete anos demidade). Muitos já chegam na escola com tal comportamento e esperar que campanhas mudem isso é no mínimo ridículo. 
Acredito que, assim como aqui na minha casa, mães e pais estão presentes na educação dos filhos (seja menino, seja menina) então surge em casa a educação para o respeito: mulher é diferente de homens pelo gênero e não pelo direito. Não crie seu filho para ser macho! - não crie a filha para ser objeto!
Sei também que grande parte da educação doméstica está nas mãos do Big Brtother, das novelas, da Internet e da pornografia, nas mãos da rua  e da violência, nas mãos da exclusão social, e tais fatores contribuem para alimentar os estereótipos da mulher submissa, da mulher objeto (o que dizer da cerveja "devassa" ou "tomar uma loira gelada"?).
Vamos superar o sexismo de uma vez por todas e educar os filhos para a igualdade e não para a libertinagem.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Campo de Libra

Campo de Libra
Opinião

O Governo diz que não há privatização e que tudo foi um sucesso.
Quanto a isso tenho dúvidas, pois só havia um consórcio privado constituído por Shell e Total, estatais chinesas e Petrobrás (muito descapitalizada).
Com relação ao dinheiro do pré-sal para educação esperemos 5 anos, quando a produção atingir a fase comercial. Não houve ágil no leilão e o contribuinte pode perder dinheiro, uma vez que a estatal brasileira fica com 40% de ônus e bônus, caso não tenha o petróleo esperado o prejuízo será em bilhões. Outro detalhe é que a nossa estatal fica com a operação de risco, enquanto a Shell e a Total entram com tecnologias, as chinesas entram com o recurso financeiro e o Brasil entra com a produção, situação mais cara e perigosa.
Estimasse que em 2019 a produção entre na fase comercial para atingir 1 milhão de barris por dia no campo de Libra.
Pois é, o PT privatiza, mas usam outros adjetivos, no momento em Libra o modelo será o de partilha, o Governo fica com o mínimo de 41, 65%.
A questão do PT privatiza não é o fato de entregar o patrimônio público como fez o PSDB-PFL, é uma questão de soberania sobre os recursos naturais.
O acesso que as empresas estrangeiras terão ao pré-sal não trará, necessariamente, desenvolvimento técnico ou tecnológico para o País. Uma vez que no atual arranjo macroeconômico internacional ainda vivemos uma desvantagem gritante diante dos centros do capitalismo.
Sim, muito podem dizer que é um passo importante com o modelo de concessão, entretanto o não repasse de tecnologias pode apenar manter o país como fornecedor de petróleo, coisa que já ocorre, tendo em vista estarmos em 13ª entre os exportadores de petróleo, foram cerca de 800 milhões de barris exportados, e estamos atualmente importando cerca de 2 milhões equivalentes de gasolina. Dessa forma a "concessão" de Libra não trará investimentos no parque de refino, pode até prejudicar a Petrobrás nisso, pois entrará com R$6 bilhões a vista para o Governo no leilão do dia 21/10/2013 e em outros que virão.
A outra pergunta é: será que daqui a duas ou três décadas o petróleo será uma fonte importante como é agora? - tenho dúvidas uma vez que os centros do capitalismo investem massivamente em outras fontes ou outros modelos de produção, e que depois estarão exportando essas tecnologias.

Ainda há tempo para repensarmos o nosso modelo civilizatório: crescimento econômico ou desenvolvimento social? - essa equação não fecha agora, pode ser que não feche nunca.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Tragédia Síria e o ônus estadunidense

Opinião

As cenas de crianças se contorcendo após ataque com armas químicas na Síria correram o mundo, em um planeta conectado e vivendo a instantaneidade dos lugares é impossível controlar a velocidade da informação.

Os Estados Unidos, como de costume, se posiciona como a "polícia do mundo" para coibir ações como essa promovida por Bassar Al-assad (presidente sírio) contra sua própria população, numa tentativa de manter-se no poder (extremamente corrupto e herança de seu pai Hafez Al-assad).

Obama, para não ficar com o ônus político "sozinho" buscou junto ao Congresso e na opinião pública a carta branca para atacar o regime sírio que já vitimou, segundo agências humanitárias internacionais, mais de 100 mil pessoas e criou um êxodo de mais de 4 milhões de refugiados segundo a ACNUR.

Nos últimos dias o conselho de Segurança veio a analisar a proposta da Rússia, que é contrária a um ataque estadunidense e tem na Síria um grande comprador de armas (herança lá dos tempos da Guerra Fria), de enviar inspetores da ONU para catalogar as armas químicas e posteriormente destruí-las. Mas de que adiantaria tal ação? - simples, retardar o ataque e reduzir o papel dos Estados Unidos na região conturbada do Oriente Médio, acalmando os tensos mercados de petróleo e seus derivados.

Bom e quanto as outras armas que estão massacrando a população? - essas podem e continuam a ser usadas, pois as resoluções da ONU proíbem o uso de armas químicas ou nucleares, mas as demais não, ou seja, não cria nenhuma perspectiva de mudança do quadro da guerra civil que Al-assad não reconhece.

Um ataque dos EUA traria como consequência uma virada no palco geopolítico do Oriente Médio, ampliando ação estadunidense para além do retalhado Afeganistão e Iraque e se mostrando ao regime de Teerã como se tratam os "inimigos" da grande águia.

A Arábia Saudita, articulista experiente, é uma das grandes interessadas na ação dos EUA na Síria, pois enfraqueceria o Irã na região, que tem auxiliado na recomposição do exército sírio e que historicamente atrapalha os planos da OPEP no controle geopolítico do petróleo.

Mas até agora a guerra tem sido psicológica, tendo Obama como pivô, que busca apoio internacional, já tendo conquistado a simpatia de Françoi Hollande (presidente francês) que garantiu apoio aos EUA numa provável ação tática no conflito, uma clara retribuição no conflito líbio contra o falecido Muammar al-Gadafi.

Mas o herói de guerra Vladimir Putin (presidente russo) tem azedado as questões, principalmente com o apoio que deu ao Edward Snowden (o que delatou a gigantesca rede de espionagem estadunidense que tem dado o que falar) e propôs primeiro a emissão de agentes da ONU, atrasando tudo e mantendo seu aliado comprador de armas no poder sírio.

Pois é, quando se trata de bilhões de dólares a população fica em segundo plano, mesmo que não sobre muita coisa para se governar na Síria, mas o Al-assad não se importa, visto que a maioria dos ditadores do Oriente Médio acabam fugindo para países que não reconhecem diversas resoluções internacionais, ou ficam em celas especiais, durante anos, esperando o julgamento.

A Primavera Árabe de fato não conseguiu mudar as trágicas condições de vida para milhões de pessoas, sejam elas de origem árabe ou não, e a comunidade internacional assiste a tudo isso e não consegue ir além dos discursos, principalmente os europeus que vivem seus próprios dilemas com uma lenta e trágica recuperação econômica desde 2010.

domingo, 1 de setembro de 2013

Geografia da Índia


Pro Demetrio Melo - Geografia da Índia from Deto

Como prometido vou postar os linques com os filmes relacionados:
Gandhi - Filme completo e dublado:
http://www.youtube.com/watch?v=DigZ14rAhD8

Filme Cidade da Esperança
http://www.cineclick.com.br/cidade-da-esperanca