domingo, 12 de junho de 2011

Nosso ‘meio’ ambiente


Demétrio Costa de Melo*

Na segunda metade do século XIX o cientista alemão Ernst  Haeckel estabeleceu as bases da ecologia, dando-lhe corpo científico, e de lá para cá muito pouco tem sido feito para mantermos o equilíbrio ecológico do planeta e da nossa necessidade de sobrevivência.
A famosa Wikipédia dedica uma página inteira para relatar o surgimento da Terra, Gaia, deusa que originou os Titãs de suas entranhas e que trouxe algumas desgraças para os mortais. Semelhante ao mito, atualmente temos assistidos “catástrofes” humanas decorrentes de forças naturais. Nos Estados Unidos a cidade de Nova Orleans ainda se recupera dos efeitos do Katrina, Já no Brasil, no início desse ano, Dilma estava anunciando recursos do PAC-2 à prevenção de desgraças provenientes das enchentes no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O ‘homo oeconomicu’ versus ‘homo sapiens’ tem ferido nossa mãe Gaia. Diariamente despejamos toneladas de esgoto nos oceanos, nosso crescimento material e econômico tem originado cada vez mais lixo, nos grandes centros urbanos o ar está saturado de partículas cancerígenas, fora o aumento da poluição sonora e do transito sempre difícil e congestionado.
Gaia está sim sofrendo dores, há quem relacione eventos tais como a sequência recente de terremotos, do Haiti ao Japão, Chile, China, tem registrado os maiores abalos sísmicos dos últimos 50 anos. Evidentemente tais eventos independem das forças humanas, mas a nossa necessidade de habitar tem-nos levado a habitar áreas geologicamente instáveis, os Titãs estão novamente atingindo os simples mortais...
Em nossa Carta Magna no artigo 225 diz que temos direito a um ambiente ecologicamente equilibrado, é um bem comum ao povo brasileiro, e que cabe ao poder público e ao cidadão a responsabilidade de preservá-los às futuras gerações, quantas e em que condições tais gerações encontrarão o ambiente? – se o próprio poder público não consegue fiscalizar e impedir os descaminhos das nossas florestas. Segundo o INPE (Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais) verificou que o desmatamento na região Amazônica, nos três primeiros meses desse ano, foi 35% maior que o no mesmo período do ano passado. O agronegócio da sojicultora e bovinocultura que traz divisas importantes para o País tem depredado o patrimônio biológico dos domínios do Cerrado e Amazônico.
O desenvolvimento material brasileiro tem provocado demandas colossais a nossa economia, e o setor energético é o principal deles, no plano decenal do governo serão investidos cerca de R$ 150 bilhões na geração e distribuição de energia elétrica. O polemico projeto das hidrelétricas de Jirau e Belo Monte são um exemplo disso, consorciar desenvolvimento econômico com preservação não tem sido tarefa fácil, ainda mais quando o licenciamento ora é suspendido ora é liberado pela Justiça Federal. Os impactos aos ribeirinhos, povos da floresta e à diversidade biológica da Amazônia serão irrecuperáveis. Ao mesmo tempo os ecologistas brigam por investimentos nas energias “limpas” e renováveis, tais como a eólica e a solar, mas seu custo é elevado, e seria necessário milhares de geradores para substituir as turbinas da futura Belo Monte.
A monetarização da Natureza está trazendo consequências graves ao planeta, e por extensão aos povos: redução da camada de ozônio, aquecimento global, acidificação dos oceanos, poluição das águas superficiais e subterrâneas, poluição atmosférica... Gaia está na hora de voltar com os Titãs! mas as sociedades mais pobres arcarão com a conta mais cara: fome, desemprego, desaparecimento das culturas locais, guerras...
Será conseguiremos mudar nosso estilo de vida? – pelo bem do planeta (e do nosso próprio) espero que sim...
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*Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba. Especializando em Geografia e Gestão Ambiental, Professor de Geografia da rede oficial do município de João Pessoa e professor na rede particular. Colunista do Jornal A União

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